Bem, nem preciso dizer que essas são as primeiras palavras de uma não-escritora, talvez uma não-digna de roubar o tempo, que não é infinito, das pessoas que de repente se deparam com uma página na internet, seja por devaneio, falta de sorte ou mesmo por acaso. Aliás, o que é acaso?! No meu caso, o acaso me levou à estar aqui, sentada em meio ao turbilhão de palavras, sentimentos, desejos e loucuras, um verdadeiro apocalipse mental que me sufocava. Agora, vou tentar explicar, mas você não precisa tentar entender. Seria algo assim:
"Era uma vez"... eu. Eu e o pinto, do Latim pictu, pintado, frango pequeno. Esse pequeno ser com suas penugens amarelas e seu estridente piar. Esse vulgo pinto no caso é de meu vizinho. Nesse exato momento, enquanto escrevo, ouço seu piar infinito. Fico imaginando se essa avezinha tem insônia ou se meu cérebro já assimilou esse piar. Hoje fazem 4 dias que meu cérebro pia. Ensaiei várias vezes uma abordagem ao meu vizinho mas desisti no meio do caminho. Como poderia chegar pra ele e dizer: "Amigo, não aguento mais seu "pinto"... ele está me deixando doida..." Ahhh... esse ex-ovo, que era tão silencioso hoje me aterroriza.
Estranho imaginar um pintinho em meio ao concreto. O pobrezinho sozinho com seu piar. Em minha cabeça a imagem desse ser paira numa paisagem campestre, com chão de terra, comendo minhoquinhas... não no quintal de meu vizinho! Para você leitor, tentar imaginar a situação, como acredito que essa pela qual passo não é muito corriqueira, se imagine num lugar onde a água pinga da torneira ininterruptamente num pote por horas seguidas. Dias...
Então, tento então acreditar numa frase:
"Paciência e tempo podem mais que força e raiva." (Jean de La Fontaine)
Mas vamos então filosofar fútilmente: paciência e tempo não são infinitos... E esse "piu" acaba por adquirir um poder tão dantesco que eu temia por me dominar. Tento mantras, orações, leitura, meditação, yoga... nada abafa esse barulhinho insano. Ok, pequenino gigante, vamos tentar outra:
"Somente quando de tudo desesperamos é que a esperança começa a ser a verdadeira força." (Gilbert Keith Chesterton)
Isso mesmo, minha esperança. Cheguei no limite do meu desespero particular(!). Escrevo aqui a partir de hoje, na esperança que meus "demônios" amarelos sejam exorcizados. Nossa... acho que funcionou!!! (silêncio repentino). Passados 37 segundos o piar volta. Alarme falso, devia ser hora do jantar. Bem, mas como eu estava dizendo, toda essa energia que acabou aflorando em mim, tento descarregá-la em forma de palavras. Palavras que espero que não se tornem o "piar" de ninguém. Hoje o começo foi com esse futuro prato principal, mas amanhã, não sei.
Finalizando, um trava-língua pra você relaxar depois de tudo isso:
Embaixo da pia tem um pinto que pia, quanto mais a pia pinga mais o pinto pia!
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